Situados num contexto de desenvolvimento de soluções para a diminuição das desigualdades sociais, os temas design, economia solidária e tecnologia social apresentam algumas interfaces: buscar a superação da pobreza e o desenvolvimento socioeconômico, aliado a preservação ambiental e a gestão coletiva. Com esse ponto de partida, esta pesquisa procurou compreender as relações entre design, economia solidária e tecnologia social, identificar aspectos de aproximação e de limitações entre os temas, e contribuir para o entendimento comum entre os temas e seus campos de atuação. Partindo do design enquanto campo de estudos e práticas, este trabalho trouxe um recorte sobre a produção do conhecimento associado a práxis, visando compreender a relação entre design, economia solidária e tecnologia social no âmbito de pesquisas com experiências práticas, a partir de suas produções científicas e tecnologias sociais certificadas. Com este objeto, quatro etapas de pesquisa foram realizadas, caracterizadas por abordagens quantitativas e qualitativas, utilizando o método de análise de conteúdo categorial: aproximações das bases conceituais e históricas dos três temas; levantamento de pesquisas com experiências práticas; seleção de cinco de pesquisas com experiências práticas e realização de dez entrevistas qualitativas com autores e coautores; e, análise e sistematização dos dados levantados. Os resultados da primeira etapa da pesquisa trouxeram elementos para a discussão e embasamento para as categorizações, problematizando aspectos comuns: contextos históricos e sociológicos – Revolução Industrial e Guerra Fria; motivações – questionamento sobre o consumo, formas de produção e o desenvolvimento tecnológico; metodologias de trabalho participativas e democráticas; métodos de propagação – propriedade intelectual coletiva e gratuita; e, objetivos finais – promoção de mudanças sociais e princípios que visam a sustentabilidade. Como limitações e divergências foi possível apontar: possíveis contradições sobre a construção coletiva de conhecimento; a compreensão do design a partir da perspectiva determinista da ciência e da tecnologia; e, as limitações de promover mudanças dentro do sistema capitalista. A segunda etapa de pesquisa trouxe o levantamento de 46 pesquisas com experiências práticas dentre os resultados aceitos, abarcando o período de 2003 e 2015. A terceira etapa de pesquisa selecionou 5 desses resultados e foram realizadas 10 entrevistas com autores e coautores, abordando os conceitos centrais da pesquisa e conceitos correlatos considerados pertinentes: design social, design e sustentabilidade, economia solidária e tecnologia social. A quarta e última etapa analisou e sistematizou os dados coletados e apontou para os resultados finais da pesquisa: as possíveis compreensões das relações entre os conceitos de design social, design e sustentabilidade, economia solidária e tecnologia social, que foram compreendidos como meio, como fim e também transversais, indicando um entendimento de certa forma difuso. Contudo, foi possível apontar um elemento transversal traduzido como o objetivo comum dos temas: promotores de sustentabilidade, visando o desenvolvimento sustentável, em seus quatro eixos – econômico, social, ambiental e institucional/cultural. E, por fim, foram realizados apontamentos sobre possibilidades de desenvolvimento conjunto dos temas, para pesquisas científicas, políticas públicas, projetos e/ou ações práticas.
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